A Parashat HaShavua (porção da leitura da Torá) desta semana é denominada “DevarimPalavras”.

Essa Parashá introduz o último dos cinco Livros da Torá, Sefer Devarim (Livro de Deuteronômio). Esse Livro também é chamado Mishne Torá, literalmente "Revisão da Torá" (origem da tradução grego-latina Deuteronômio).

O tema central, nesta semana, é o pecado dos espiões, os meraglim.

Bnei Israel não teve permissão para atacar os reinos de Essav, Moav ou Amon - terras que ainda não faziam parte do mapa de Eretz Israel. A conquista de Canaan, começando com os reinos de Sichon e Og, teria que ser feita de forma natural: através de guerras. A porção da Torá conclui com palavras de encorajamento para o sucessor de Moshe, Iehoshua.

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Tisha BeAv

O dia 9 de Av, Tisha BeAv, celebra uma lista de catástrofes tão graves que é claramente um dia especialmente marcado por D'us. Quando ainda no deserto, o povo passou a noite chorando, conta o Midrash sobre o episódio dos espiões, D'us então decidiu que se tornaria um dia triste para as gerações até a redenção final.


O Primeiro Templo foi destruído neste dia. Cinco séculos mais tarde, conforme os romanos se aproximavam do Segundo Templo, prontos para incendiá-lo, os judeus ficaram chocados ao perceber que o Segundo Templo foi destruído no mesmo dia que o Primeiro.


Quando os judeus se rebelaram contra o governo romano, acreditavam que seu líder, Shimon bar Kochba, preencheria suas ânsias messiânicas. Mas suas esperanças foram cruelmente destroçadas em 135 EC, quando os judeus rebeldes foram brutalmente esquartejados na batalha final em Betar. A data do massacre? Tisha BeAv, é claro!


Os judeus foram expulsos da Inglaterra em 1290 EC em, você já sabe, Tisha BeAv. Em 1492, a Idade de Ouro da Espanha terminou, quando a Rainha Isabel e seu marido Fernando ordenaram que os judeus fossem banidos do país. O decreto de expulsão foi assinado em 31 de março de 1492, e os judeus tiveram exatamente três meses para colocar seus negócios em ordem e deixar o país. A data hebraica na qual nenhum judeu mais teve permissão de permanecer no país onde tinha desfrutado de receptividade e prosperidade? A esta altura, você já sabe que é Tisha BeAv. Porém, esta também foi à data que Cristóvão Colombo iniciou sua viagem para o novo mundo.


Pronto para mais? A Segunda Guerra e o Holocausto, concluem os historiadores, foi na verdade a conclusão arrastada da Primeira Guerra, que começou em 1914. E sim, a Primeira Guerra Mundial começou, no calendário hebraico, a 9 de Av - Tisha BeAv.


O que você conclui disso tudo? Os judeus vêem estes fatos como outra confirmação da convicção profundamente enraizada de que a História não ocorre por acaso; os acontecimentos - mesmo os terríveis - são parte de um plano Divino, e têm um significado espiritual.

Que possamos merecer ainda esta semana, antes do Jejum, a revelação do profeta Eliahau nos avisando sobre a vinda de Mashiach, a redenção final e o fim da dor e sofrimento de nosso exílio – galut - com a reconstrução do Templo e o  reencontro com nossos queridos!

A mensagem do tempo é que há um propósito racional, muito embora não possamos entendê-lo. Porém, nossos Sábios nos deram um sinal, conforme: explica a Guemará que no mesmo dia em que foi destruído o 1º Templo, nasceu Machiach; querendo nos dizer que já nesse mesmo dia tínhamos o potencial para terminarmos com essa galut, exílio, que ainda perdura.

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Shabat Chazon – o Shabat da visão

Este Shabat é chamado de Shabat Chazon devido ao início de sua Haftará: "Chazon Ieshaiau Ben Amotz", a "Visão de Isaias, o filho de Amotz". Rashi explica a palavra "Chazon", Visão, como a mais forte e mais estrita das palavras que introduzem uma mensagem profética para o povo, tal como poderia ser: "Massa", carga, "Devar Hashem", palavra de D'us, etc.

Ela é entoada, em muitas comunidades, com a mesma melodia que a "Meguilat Eicha", o Rolo das Lamentações escrito pelo profeta Jeremias, o qual testemunhou a destruição. Isaias também foi uma testemunha viva, mas somente através dos olhos de sua mente, de forma profética. Na época em que a escreveu, ainda não havia ocorrido. Ainda poderia se impedir a destruição se o Povo tivesse feito teshuvá.

A Haftará começa com Isaias profetizando durante quatro reinados de Iehuda, os quais foram: reinado de Uzia, Iotam, Achaz e Iechezkiau. Nossos Sábios afirmam que seu período de profecia alcança também o reinado do Rei Menashe. O qual também poderia ter sido abarcado se o profeta não tivesse sido assassinado por este Rei.

O Rei Menashe disse para o profeta Isaias, "Não está escrito na Tora: 'O homem não pode Me ver e permanecer vivo' (Exodus, 33:20), e mesmo assim você disse: 'e Eu vi D'us sentado em Seu trono, Maravilhoso e Terrificante'". Em seu zelo pela Tora, o Rei Menashe se certificou que a profecia de D'us a Moshe fosse cumprida ao "pé-da-letra".

Punição e Consolo

“…e após tudo, você será chamada a Cidade dos Justos…” (Isaias, 1:26)

Neste ponto da haftará, devemos questionar uma coisa: Se o propósito da haftará é admoestação, por que terminamos com palavras positivas, se a continuação do texto no TaNaCh volta ao assunto de punições?

E a resposta pode ser que foi por causa que nossos Sábios não queriam enfatizar o aspecto de punição tão simplesmente. Pois se não, qual seria o valor do exercício de viver nesse mundo?

E ao contrário, o verdadeiro objetivo de “punições” não é outro que se não consolar, amparar e ensinar a crescer… Assim como um pai faz com seu filho, apesar do castigo, sua verdeira intenção é ensinar-lhe uma lição…

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