A Parashat HaShavua, porção da leitura da Torá desta semana,é denominada de “PinchasPinchas (o filho de Elazar, o filho de Aharon, o Sacerdote)”. Esta é a penúltima leitura do quarto livro da Torá, Chumash Bamidbar (Números), para o ciclo desse ano.

D'us fala para Moshe informar a Pinchas que ele receberá o "pacto de paz" Divino como recompensa por sua ação corajosa - por ter executado Zimri e a princesa midianita Kozbi. D'us ordena a Moshe para que o Povo Judeu mantenha um estado de inimizade com os midianitas, por eles terem nos persuadido a pecar.

Moshe e Elazar são instruídos a fazerem um censo da nação, o primeiro após trinta e nove anos no deserto. A Tora menciona os nomes das famílias de cada uma das tribos. O número total de homens habilitados a servirem no exército é 601.730. D'us explica a Moshe como dividir a Terra de Israel para o Povo Judeu. O número de famílias dos Levitas é mencionado.

As filhas de Tzelofchad fazem uma alegação para Moshe: como elas não tem irmão, elas pedem a herança da porção de terra de seu pai, que havia morrido no deserto... Moshe pergunta a D'us qual é a lei nesse caso, e D'us responde que a alegação delas é justa.
A Torá ensina as leis e prioridades que determinam a ordem de heranças. D'us fala para Moshe subir numa montanha e ver a Terra de Israel em que o Povo Judeu entrará em breve, porém não poderá acompanhá-los. Moshe pede a D'us para designar o próximo líder do Povo, e D'us seleciona Ieoshua Bin Nun. Moshe aponta Yeoshua como seu sucessor frente a toda a nação.

A Parashá conclui com ensinamentos especiais sobre o serviço no Beit HaMikdash. Trazendo detalhes sobre os Korbanot (sacrifícios): tamid (diários), de Shabat, de Rosh Chodesh (novo mês) e dos Shalosh Regalim (as três grandes festas - Pessach, Shavuot e Sucot) e de Rosh Hashana e Iom Kipur.

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Shivá Assar beTamuz – 17 de Tamuz


Os nossos Sábios chamam este jejum de "o quarto jejum". Esta forma foi adotada devido ao versículo em Zacarias, 8:19: "Assim disse o D'us dos exércitos: o jejum do quarto mês (17 de Tamuz), o jejum do quinto mês (9 de Av), o jejum do sétimo mês (Tzon Guedalia) e o jejum do décimo mês (10 de Tevet) se converterão para a casa de Iehuda em dias de gozo e regozijo..."

Então: Qual é a razão para este jejum? Nossos Sábios nos explicam, conforme o Talmud Taanit 26a, que "Cinco desgraças aconteceram para o Povo Judeu nesse dia, em distintas épocas, mas que suas marcas permanecem":

1.   Moshe, nosso mestre e professor zt"l, quebrou as tábuas ao descer do monte;

2.   Foi suspenso os sacrifícios de tamid (diários) no primeiro templo e outros dizem no segundo também;

3.   Foi sitiada a cidade de Jerusalém na época do Segundo Templo, resultando em sua destruição após 21 dias;

4.   Apostamos (segundo alguns oficial romano e outros imperador grego) queimou um Sefer Tora, (eventualmente o de guia usado pelos escribas desde Ezra haSofer e segundo outros este Sefer e todos os demais que ele encontrou);

5.   Foi colocado um ídolo no Hechal do Templo (no Santo), segundo alguns, por Apostamos (2º Templo) e, segundo outros, pelo rei Menashe (1º Templo).

O período de vinte e um dias entre 17 de Tamuz e 9 de Av é chamado de ben hametzarim - "entre os apertos", baseado no versículo (Eicha 1:3) que declara: "Todos seus perseguidores alcançaram-na dentro dos apertos". Os Sábios (Eicha Raba 1) explicam que 'dentro dos apertos' refere-se a dias de aflição que ocorreram no período entre 17 de Tamuz e 9 de Av.

Neste período, muitas calamidades se abateram sobre o povo judeu através das gerações. Foi durante este período, dentro dos apertos, que tanto o primeiro quanto o segundo Templos foram destruídos. Este período foi, portanto estabelecido como um tempo de luto pela destruição dos Santuários.

Os nossos Sábios ainda nos dizem que neste período possuímos haftarot especiais para a ocasião, iniciando com 3 haftarot de admoestação e punição (correspondendo ao período), seguidas de 7 de consolação e promessa de redenção e 2 de teshuvá, arrependimento.

Pela lógica do ser humano, a ordem deveria ser admoestação, seguida de arrependimento e finalizando com a promessa de redenção. Porém, os nosso Sábios vêem daqui que D'us paga mais do que se merece, conforme a Tosefta na guemara em Sota, cap. 4, trocando a ordem para beneficiar o Povo Judeu.

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Mensagem da Parashá

A ruptura das Tábuas

No dia 6 de Sivan do ano 2448 (1313 a.e.c.) foi entregue a Torá aos Filhos de Israel no monte Sinai e no dia seguinte, por ordem de D'us, Moshe subiu no monte Sinai e permaneceu ali durante um período de 40 dias - até o dia 17 de Tamuz. Ao descer com as tábuas de pedra que continham os Dez Mandamentos, Moshe viu que os Filhos de Israel haviam feito um bezerro de ouro e imediatamente rompeu as tábuas (Êxodo, 32:19).

Esse foi um dia de grande catástrofe. Alevantou-se o Oceano Atlântico, como se fosse tragar ao mundo inteiro. Imediatamente Moshe tomou o Bezerro de Ouro, queimou-o e lhe fez virar pó. Em seguida, Moshe perguntou ao mar: "Por que queres inundar o mundo?"

"O mundo existe somente por mérito da Torá", respondeu o mar, "e os israelitas se rebelaram contra ela".

Moshe replicou: "Te darei do que eles fizeram". E tomou as cinzas do Bezerro de Ouro e as espalhou sobre a superfície da água.

Nesse momento morreram milhares de israelitas, porém o mar não aplacou sua fúria. Então Moshe tomou um pouco dessa água misturada com as cinzas do Bezerro de Ouro e a deu de beber a os israelitas. Somente então o mar se acalmou.

Também foi decretado que os israelitas pudessem ser subjugados a outras nações e que morreriam. Se as tabuas não se houvessem quebrado, nenhuma nação jamais haveria podido dominá-los. Além disso, os israelitas haveriam permanecido imortais.

Há uma referência a isto na Torá quando diz: "E as tábuas haviam sido feitas por D’us, de Quem era também a escritura gravada (charut) nelas" (Êxodo 32:16). Nossos Sábios ensinaram: "Não leias "charut", senão "cherut", que denota liberdade" (É como se a Torá, no livro de Êxodo, houvera dito: "E as tábuas haviam sido feitas por D’us, havia liberdade nelas") Isto indica que se as tábuas não houvessem sido partidas, os israelitas haveriam sido libertados do jugo do governo e também do Anjo da Morte.

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Rabino Avraham David de Luneil, o autor de "Sefer HaManhig", escreve: "Desde Parashat Bereshit até 17 de Tamuz , a Haftará é escolhida para corresponder a Parashá por tópico. Mas dali em diante, a escolha da Haftará é determinada completamente pela época do ano e em correspondência a eventos históricos" (Hilchot Taanit, 16).

A haftará desta semana é ¨Divrei Iermiahu¨. Ela é a primeira Haftará da trilogia “Três de Aflição” que se lêem desde 17 de Tamuz até 9 de Av, e contem a visão sinistra de Jeremias da iminente ruína de Israel e o primeiro exílio em mãos do rei babilônio Nebuchadnetzar (Nabucodonozor).

  A visão de Irmiahu de uma ameaçadora vara de amendoeira indica que está maturando o momento de castigar a Israel, igual como amadurece uma amendoeira. A panela que ferve de face para o norte adverte que o vizinho setentrional de Israel, Babilônia, haverá de empunhar dita vara. Porém caso arrependam-se, D’us recordará a “bondade de sua juventude” quando a nação nascente abandonou o familiar Egito, e igual como uma noiva romântica, foram atrás de  D’us a um deserto ameaçador.

Má Companhia

"Portanto D'us diz: 'Eu me lembro para seu bem da bondade de sua infância, seu amor no período de noivado, você ter me seguido no deserto numa terra não cultivada'. Israel é sagrado para D'us, seu primeiro grão, todos que o devoram deverão arcar com a responsabilidade de sua culpa, eles sofrerão desgraças - a palavra de D'us".   (Jeremias, 2:2,3)

Palavras do Rebe

Uma vez havia um rapaz sensível que passava seus dias estudando e desenvolvendo seu caráter. Ainda quando jovem, ele foi capturado por bandidos e forçado a viver com eles. No princípio, a vulgaridade deles o repugnou, e ele manteve seu comportamento original. Mas com as semanas se transformando em anos, e sem sinais de ser liberado, vagarosamente ele foi influenciado, até que eventualmente não havia como distingui-lo dos bandidos.

Quando o Povo Judeu for finalmente redimido do exílio, as nações que os oprimiram serão julgadas, não apenas pelas suas transgressões, mas também pelos pecados de Israel. Pois se não fosse pela companhia do Povo Judeu, eles ainda estariam no mesmo nível espiritual de quando estavam no deserto.

Essa é a explicação dos versos: "...'Eu me lembro para seu bem da bondade de sua infância, seu amor no período de noivado, você ter me seguido no deserto numa terra não cultivada' ". Eu me lembro, diz D'us, como vocês eram ao me seguir no deserto, antes de serem exilados com as nações. No princípio vocês foram sagrados, e se vocês pecaram foi por causa da atmosfera em que foram absorvidos durante a longa noite do exílio.                       Kochav Mi Yakov em Maiana Shel Torá

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