Resumo da Parashá

A Parashat HaShavua, porção da leitura da Torá desta semana, é chamada de “Chukat – BalakPreceito, Decreto - Balak (rei de Moav)”. Esta porção é chamada de forma especial: Parashat Mechuberet (Porção Unida). Além de ser uma porção “dupla”, esta porção nos une a leitura da porção da semana na terra de Israel a Galut na (diáspora).


A Parashat Chukat inicia-se com o "perfeito decreto" da Tora, Chukat HaTorá, uma mitzvá que somos comandados a cumprir mesmo se formos incapazes de entender seu propósito e razão de ser – Pará Adumá, a vaca vermelha, cujas cinzas são usadas para purificar as pessoas que se contaminaram através do contato com um cadáver. Esta mitzvá muito especial nos ensina que uma pessoa deve ser purificada com o auxílio de outra, a qual esteja pura, e que no final do processo resultará no impuro se tornar puro e o auxiliar puro se tornar impuro!!!

A narrativa então salta 38 anos no tempo para trazer-nos a fase anterior a chegada do povo judeu à terra de Israel. Neste ponto, a Tora nos relata os acontecimentos que tiveram lugar no final do castigo de permanência de 40 anos dos filhos de Israel no deserto. A narrativa nos conta que a profetiza Miriam morre e o povo é deixado sem água. Pois o poço milagroso, que os havia acompanhado durante sua jornada pelo deserto, existia apenas pelo mérito de Miriam.

D'us ordena a Moshe e Aharon que falem a uma certa rocha, que assim milagrosamente produzirá água; Moshe, porém, a golpeia com seu cajado e o Criador declara aos dois líderes que não entrarão na Terra Prometida. Depois disso, o rei de Edom se recusa a deixar o povo judeu passar pelas suas fronteiras, obrigando-os a tomar uma rota mais longa e temos o episódio da Cobra de Cobre.

Aharon morre e é enterrado no Monte Hor, e Elazar, seu filho, o sucede como Cohen Gadol, Sumo Sacerdote. Os Filhos de Israel entoam uma canção de louvor sobre o poço milagroso, que D'us havia concedido por mérito de Miriam. A primeira Parashá conclui com as batalhas e vitórias sobre Sichon, o rei de Emor, e Og, o rei de Bashan.

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Parashat Balak, a segunda porção desta semana, desvia o foco da viagem do povo judeu pelo deserto, para relatar a história de Bilam - o profeta gentio que tentou amaldiçoar o Povo Judeu.

Os Filhos de Israel, após as vitórias conquistadas e narradas no final da primeira porção, chegam a fronteira do reino de Moav. E a Tora nos relata que seu rei, por temor de ser "devorado" pelos Filhos de Israel, manda chamar um "profeta" gentio conhecido por "seus serviços". Encarregado por Balak, rei de Moav, Bilam concorda em empreender uma viagem ao acampamento israelita; entretanto, ele primeiro pede permissão a D'us, a qual lhe é concedida sob a condição de que falará somente o que D'us colocar em sua boca.

En
quanto estavam empreendendo viagem ao local do acampamento dos filhos de Israel, um anjo brandindo uma espada bloqueia a passagem de Bilam por diversas vezes. Fazendo com que seu jumento saia repetidas vezes da estrada e o colocando em situações de ridículo perante a comitiva em jornada.

Incapaz de ver o anjo, Bilam reage golpeando o jumento desobediente em três oportunidades. Milagrosamente, D'us faz com que o animal fale com Bilam e D'us desvela os olhos do humilhado profeta para que possa ver o anjo no caminho. O anjo então relembra Bilam de que poderá proferir somente as palavras que D'us colocar em sua boca.
Ao vislumbrar o acampamento dos judeus, Bilam tenta repetidamente amaldiçoar o povo; a cada vez o Criador o impede de fazê-lo e, ao contrário, inspirá-o a pronunciar diversas bênçãos e louvores para total consternação de Balak, rei de Moav. O rei o dispensa, porém, o perverso profeta revela ao soberano qual será o final dos dias para seu povo e inspira-o como deixar D'us furioso com seu povo, aconselhando-o a incitar os Filhos de Israel com promiscuidade em frente de um penhasco com forma de idolatria.

Essa porção da Torá conclui com a narrativa da zombaria dos homens judeus com as promíscuas filhas de Moav e Midian e o licencioso ato público de Zimri (um príncipe da tribo de Shimon) com uma princesa midianita. Ela foi trazida para dentro do acampamento de Israel e levada para uma tenda, passando em frente de Moshe e dos
Zekenim (os 70 Sábios) que atônitos não sabiam qual atitude tomar dada a humilhação.


Pinchas, o neto de Aharon, zelosamente reage, espetando-os com uma lança. Eles são levados em marcha pelo acampamento, perfurados pela lança e vivos, até Moshe para que fosse feita justiça. Aplaca-se a praga de D'us que havia irrompido no acampamento, e que levou a morte 24.000 do povo.
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Mensagem da Parashá

Qual o sentido do incompreensível?

"Este é o estatuto da Torá que D’us comandou... Dizendo"   (Números, 19:2)

Nós temos um ditado que fala que uma vez que o Beit Hamikdash não existe em nossa época, quem se aprofunda no estudo das leis dos sacrifícios (korbanot) é considerado como se ele realmente trouxesse aqueles sacrifícios e que eles lhe fornecessem o apaziguamento / expiação que o sacrifício provinha (Guemará Menachot, 110a). Se for assim, por que nós não dizemos o mesmo com relação ao processo de purificação criado pela pará adumá (vaca vermelha)?

A resposta é Dizendo. Quando nós somos inquiridos por estranhos, satã e as nações do mundo... por uma explicação: nós respondemos Dizendo que é um estatuto, como claramente declarou em nosso versículo, em Números 19:2. Porém em um nível pessoal, quando estudamos estas leis como nós fazemos com qualquer lei da Tora, nós devemos nos aprofundar nela e compreendê-la até o melhor que pudermos, traz o Panim Yafot.

E está é a lição da mitzvá de chok (estatuto ilógico): estes são nossos estatutos, nossa Tora para fora, para o mundo para o Ietzer Hará, para os desafios... Porém em nosso íntimo, a Tora deve ser como nossa própria vida e a ela devemos nos devotar e com ela crescer.

De fato, declaram os Sábios: realmente nós não sabemos a razão! E isto faz parte do mistério rodeando as leis da pará adumá.

Já o comentarista Rashi traz do Midrash que satã e as nações do mundo tentam irritar o Bnei Israel (Povo Judeu), questionando a análise racional desta mitzvá – qual sua lógica? Sua essência?. Ora, nos foi ensinado que é um estatuto (chok) e que não se deve aprofundar nele. Porém, logo no versículo 22, o último deste trecho de "pará adumá", o comentarista Rashi traz uma explicação mais compreensível desta mitzvá, aclarando muitos de seus aspectos peculiares. E por acaso não foi justo acima que Rashi não nos disse que não devíamos tocar nesse assunto?

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Haftará
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Palavras do Rebe
A força da mulher judia

Como podemos perceber, o valor da mulher judia é inestimável. Até mesmo o perverso profeta Bilam nada pode contra elas ao alegar em seu maldoso conselho: “tente aos homens...” e não as mulheres! Acompanhemos a história da vida de Rabi Akiva, a qual nos traz inspiração nesses dias de galut, com seu jeito de fazer paz e aproximar o povo judeu da nossa sagrada Torá:

“Rabi Akiva, um dos mais destacados sábios do Talmud, era iletrado quando jovem. Trabalhava para o abastado Kalba Savua, cuja bela filha, Rachel, reconheceu o potencial em Akiva e ofereceu-se para desposá-lo se ele adotasse o estudo de Torá. Kalba Savua ficou furioso, e expulsou a ambos. O casal vivia em absoluta pobreza.
Akiva entreouviu um vizinho admoestando sua esposa por permitir que o marido ficasse ausente por tanto tempo, e Rachel respondeu: "Eu concordaria que ele se ausentasse por mais doze anos, para aperfeiçoar seu estudo de Torá." Isso foi exatamente o que Rabi Akiva fez.

Akiva foi então para Jerusalém e logo se destacou no estudo de Torá, terminando por atrair muitos discípulos. Depois de doze anos, voltou para casa com um séquito de seguidores.

Vejamos pelo exemplo de Rabi Akiva o quão verdadeiro é o ditado popular que “atrás de um grande homem está uma grande mulher”


Anos depois ele voltou, acompanhado por uma multidão de alunos. Quando Rachel aproximou-se para saudá-lo, os estudantes a impediram de chegar perto do mestre. As palavras de Rabi Akiva a seus discípulos são imortais. "Tudo que sei da Torá, e tudo aquilo que vocês sabem da Torá, podemos atribuir a ela."


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Caminho de Vida

"Oh Homem, o que é o bem e o que pede D'us de ti, somente que hajas com justiça...  andes humildemente com teu D'us"   (Miquéias, 6:8)

Segundo o comentarista Rashi: "Andes humildemente com teu D'us" se refere as mitzvot de prover para as noivas e de acompanhar aos mortos.

A fim de perceber a verdadeira essência de uma pessoa, devemos vê-la tanto nos momentos de alegria transcendente, como quando provê a uma noiva, como nos de mais profunda tristeza, como quando acompanha a um morto. Pois nesses momentos tão extremos, as qualidades internas se revelam com mais força. Somente então podemos apreciar se verdadeiramente a pessoa "anda com humildade junto a seu D'us".        Kochav mi Yakov