Resumo da Parashá

A Parashá (porção da leitura da Tora) desta semana é chamada de “Shelach – Envie (para ti)”.

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Mensagem da Parashá

Chalá e Brachá

Após o incidente dos espiões e a punição infligida à geração do deserto (permanência de 40 anos no deserto), prevalecia um espírito de depressão e pesar.

D'us ordenou a Moshe: "Vá e dê força e ânimo aos judeus!"

"Ensinando Torá," retrucou o Todo Poderoso. "Instrua-os na mitzvá de libações e a mitzvá de separar a chalá da massa. Essas mitzvot aplicam-se principalmente em Israel. Assim, os judeus ficarão inspirados com a confiança de que seus filhos chegarão definitivamente a Israel."

A Lei de separar uma porção da massa - chalá

Enquanto estavam no deserto, os judeus não separavam uma porção de massa. A mitzvá só se tornou obrigatória após terem entrado em Israel.

A mitzvá de separar a chalá realmente só se aplica em Israel numa época em que a maioria do povo judeu habita lá. Contudo, nossos sábios comandaram que a chalá seja separada mesmo fora de Israel, e mesmo em nossa época, para que essas leis não sejam esquecidas. Hoje em dia queimamos a chalá e não a damos aos Cohanim, porque os Cohanim encontram-se impuros.

A mitzvá de separar a chalá tem o potencial de trazer de volta a pureza de espírito perdida através do pecado de Adam. Desta maneira, ao cumprir esta mitzvá, a mulher retifica o pecado de Chava.

Uma bênção no lar

É significativo que a mitzvá de separar a chalá da massa, foi outorgada à mulher judia. Como esteio do lar, a mulher não apenas prepara o sustento físico para a família; mas cumprindo esta mitzvá, ela também confere uma mensagem espiritual ao alimento.

A mitzvá de separar a chalá incorpora a crença de que todo nosso sustento realmente chega até nós através das mãos de D'us. Do mesmo modo que não podemos ingerir o pão a não ser que tenhamos separado a chalá, assim também uma porção de nosso sustento é sempre reservada para caridade, que é dada livremente - "do bom e do melhor".

Nossos sábios dizem a respeito da mitzvá de separar a chalá: "Isto fará com que a bênção paire sobre sua casa". A mulher, tão influente na formação dos valores e atitudes dos membros da família, traz bênçãos sobre seu lar e família através desta mitzvá, e inspira fé em D'us nos que a rodeiam.

A mitzvá de separar a chalá simboliza toda a prática da cashrut, enfatizando a elevação do físico e mundano a reinos de santidade.

Tradicionalmente, as mulheres judias assaram suas próprias chalot como parte da preparação para Shabat e Yom Tov, apreciando e valorizando a oportunidade de cumprir esta mitzvá. Esta mitzvá é especialmente significativa na véspera de Shabat, como foi o 6º dia da criação. Antes de separar a chalá, muitas mulheres depositam algumas moedas numa caixinha de tzedaká destinada aos necessitados, especialmente aos estudantes de Torá, em Israel. A separação deve ser acompanhada da Brachá (benção) adequada e conforme o costume de sua comunidade.

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Haftará

Na história

Assim como Moshe enviou espiões a investigar a terra, Iehoshua também enviou espiões antes de entrar com o Bnei Israel (filhos de Israel) na terra de Israel.

Quando Iehoshua mandou os espiões, o fez secretamente e lhes deu poucas ordens: "Vão e vejam a terra e também Jericó." O resultado desta missão foi muito diferente daquela de Moshe.

Também nos conta sobre como os habitantes cananitas se sentiam, sabendo que os Filhos de Israel iriam a entrar em seguida e haviam escutado os milagres do Egito, do Iam Suf, e as guerras que havia lutado Moshe.

Os cananitas estavam aterrorizados. Quando os espiões escutaram isto de Rachav, viram que sua missão ia ser exitosa. Por isso, os espiões não seguiram explorando a terra, senão que se esconderam na montanha e quando seus perseguidores já não os procuravam, voltaram a Iehoshua e lhe disseram: "D’us nos entregou a terra". Eles encheram de confiança ao povo.     S.R.Hirsch 

Histórias Chassídicas

Falha na geração do deserto?

O Lubavitcher Rebe traz uma luz sobre o como homens honrados, como eram os espiões, não quiseram entrar na Terra Santa:

“Enquanto os judeus habitavam no deserto, estavam envolvidos apenas com assuntos espirituais como o estudo da Torá. Todas suas necessidades físicas: alimento, bebida e roupas eram providos milagrosamente por D'us. Os espiões não queriam ter envolvimentos mundanos que seriam essenciais ao entrarem em Canaã.

Estes líderes perceberam que os judeus teriam que trabalhar a terra, envolver-se em atividades comerciais e afins. Com certeza, estas atividades seriam guiadas pela Torá: o povo não praticaria o roubo, a calúnia a maledicência, não se intrometeria nos assuntos do próximo, etc. Também cumpririam os preceitos de maasser (dízimo), Shemitá (o ano sabático), terumá (a cota dos cohanim), etc. Todavia, o tempo deixado para o estudo e a prece seria mais escasso.”

A alegação dos espiões era: "Por que deveríamos mudar o tipo de trabalho espiritual no deserto, pelo trabalho na terra de Israel? Lá, na Terra Santa, lidaremos com os frutos da terra - não com a maná dos Céus; lá teremos que lidar com os canaanitas, diferente do deserto onde somos uma nação reclusa."

Os espiões concluíram que a terra Santa tornar-se-ia um "país que devora seus habitantes" - que acabaria consumindo e devorando sua espiritualidade e santidade.

Os espiões estavam errados! Pois "A terra é extremamente, extremamente boa". Embora o trabalho em Israel se concentrasse em assuntos simples, isso é o desejo de D'us - que mesmo as coisas mundanas da vida tivessem um cunho de Judaísmo, de terem sido realizadas por um judeu da maneira adequada, ordenada Divinamente. Isso é mais caro ao Todo Poderoso que o elevado estudo da Torá no deserto.

Hoje nos encontramos em um difícil exílio. É impossível estudar Torá oito horas por dia; tudo o que podemos fazer é participar de aulas de Torá comunitárias - muitas das quais não são profundas, mas tratam de leis simples ou histórias de nossos sábios, etc.

Portanto: não devemos desanimar! Eis que "A terra é extremamente, extremamente boa". Se superarmos o desânimo e as dificuldades e nos conduzirmos de maneira judaica, mesmo nos assuntos mais simples e corriqueiros da vida, cumpriremos a suprema vontade de D'us tão eficazmente quanto através do profundo estudo da Torá no deserto. E se o fizermos com alegria, será ainda mais precioso aos olhos de D'us. Ajudando a apressar a vinda de Mashiach ainda em nossos dias!

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 Palavras do Rebe 

Quem Merece

"E Moshe chamou Hosheia bin Nun Yehoshua" (Bamidbar 13:16)

O Targum Yonatan ben Uziel diz que quando Moshe viu que Hosheia era humilde, ele fez seu nome mudar. Moshe ele mesmo era tão humilde que quando lhe foi dito para escrever que ele, Moshe, era o homem mais humilde na face da terra (Bamidbar, 12:3), ele tentou minimizar esta declaração escrevendo a palavra "Anav" (humilde) faltando a letra Yud. Desde que ele decidiu omitir a letra Yud, ela lhe foi dada para uso como lhe fosse apropriado. Portanto, quando ele notou que Hosheia possuiu esta mesma característica em uma grande medida, ele deu está letra para Hosheia, mudando seu nome para Yehoshua.

Admor Sar Shalom de Belz em Midbar Kodesh

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Para criar o primeiro homem, o Medrash nos conta que D'us juntou um pouco de terra de cada parte do mundo, recolhendo água de todos os oceanos, formando assim uma argila. A partir desta "massa" Ele formou Adam (Adão). Por isso, nossos sábios denominaram Adam "a chalá do mundo". Quando Chava (Eva) ofereceu-lhe o fruto proibido, fez com que Adam perdesse sua pureza original.

Daquele momento em diante, sempre que alguém fazia uma quantidade específica (um Omer) de massa de uma das cinco espécies de cereais (trigo, cevada, aveia, espelta ou centeio) precisava separar uma parte da massa, chamada de chalá. A chalá era sagrada e entregue a um Cohen.

"Mestre do Universo," perguntou Moshe, "como os consolarei?"

O povo reclamou: "Talvez nossos filhos cometam algum outro pecado, então também não entrarão em Israel. Nosso povo jamais chegará a Terra."

Com a insistência de Povo Judeu, e com a permissão de D'us, Moshe mandou doze espiões, um de cada tribo, para investigar Canaan. Antecipando problemas, Moshe mudou o nome de Hoshea para Ieoshua, expressando a benção de que ele não falhe na missão. Eles retornam quarenta dias depois, carregando frutas extremamente grandes.

Quando dez, dos doze observadores, afirmaram que as pessoas em Canaan são enormes como as frutas, o povo se desanimou. Caleb e Ieoshua, os únicos espiões ainda em favor da invasão, tentaram em vão re-animar ao povo. Porém, a nação resolveu que a Terra não valia o risco potencial deles sofrerem fatalidades, e, ao invés disso, eles sugeriram que retornassem para o Egito!

D'us "se aborreceu" com essa atitude, mas foi eventualmente "acalmado" pela súplica fervorosa de Moshe. Mas Ele declarou que o Povo Judeu teria de permanecer no deserto por quarenta anos, até que os homens que lamentaram o relatório falso morressem.

Um grupo de pessoas, com remorso e arrependidos do seu erro prévio, em seguida ataca a Terra baseados no comando inicial de D'us. Moshe lhes alerta para que parem, mas eles o ignoram e são massacrados.

D'us instrui Moshe a respeito das oferendas que serão feitas quando o Povo Judeu finalmente entrar na Terra de Israel. O povo é comandado a separar “chalá”, doação para os cohanim, de suas massas. São explicadas as leis para oferenda que repara pecado individual ou comunitário não intencional. Porém, se alguém blasfemar contra D'us e não se arrepender, ele será espiritualmente expulso de seu povo. Um homem é encontrado colhendo madeira numa propriedade pública, violando então as leis de Shabat, e é condenado a morte.

As leis de tzitzit são ensinadas. Duas vezes por dia nós recitamos essa seção da Parashá porque ela nos lembra de D'us, Seus mandamentos e o nosso êxodo.