Resumo da Parashá

Seguindo-se aos mandamentos detalhados da porção da última semana a respeito da construção do Mishkan, a Parashat Tetzave começa com a mitzvá diária dada a Aharon e seus filhos de abastecer a Menorá no Mishkan com puro azeite de oliva.

D'us descreve a Moshe as vestes especiais que devem ser usadas pelos Cohanim durante o serviço, tecidas e adornadas com materiais doados pelo povo. A confecção do bigdei kehuna (vestes dos sacerdotes) era composta de: placa peitoral, manto, túnica, coroa, cinta, tiara, e calças de linho. Os Cohanim comuns envergavam quatro vestimentas especiais, ao passo que quatro vestes adicionais deveriam ser vestidas exclusivamente pelo Cohen Gadol.

A porção da Torá então transfere sua atenção aos mandamentos de D'us referentes ao miluím, inauguração ritual para o Mishkan recentemente construído, a ser realizada exclusivamente por Moshe por sete dias.

O miluím incluía Moshe adornando e ungindo os Cohanim, e trazendo Korbanot (oferendas). No oitavo dia, Aharon e seus filhos assumiam seus postos como Cohanim.

Após então descrever o Korban Tamid (Oferenda Diária), a oferenda a ser levada ao Mishkan a cada dia do ano pela manhã e à tarde, a porção conclui com a ordem para construir a última das estruturas do Mishkan, o altar de ouro sobre o qual o ketoret (incenso) seria oferecido todas as manhãs e tardes.

Todas estas ordens são na verdade realizadas na porção conclusiva do livro de Êxodo, Parashat Pekudei.

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Moshe Desaparece

A Torá consiste em cinco livros, subdivididos em 54 parashiot. Estes são comumente denominados "Os Cinco Livros de Moshe".

À primeira vista, o nome parece de certa forma mal aplicado. É verdade que Moshe os transcreveu, e também é certo que ele é o personagem principal na narrativa; porém, não é a Torá de D'us? Similarmente, o Talmud estranha o chamado do profeta (Malachi 3:22): "Lembrem-se da Torá de Moshe, meu servo". Então é a Torá de Moshe? Sim, é, diz o Talmud. "Como ele deu a vida a ela, é chamada por seu nome".

Não há menção de Moshe no primeiro livro, Bereshit (Gênesis). Isso faz sentido - ele ainda não havia nascido. A palavra "Moshe" aparece somente umas poucas vezes no quinto livro, Devarim (Deuteronômio). Isso, também, é entendido - o livro de Devarim, na sua totalidade, é um longo discurso com 37 dias de duração, que Moshe pronunciou ao povo de Israel antes de seu falecimento. Durante todas as onze porções de Devarim ouvimos sua voz falando - "Naquele tempo, D'us disse a mim...", "E então viajamos em frente..." (em contraste, o restante da Torá está escrito na terceira pessoa - "E D'us falou a Moshe...", "E Moshe subiu a montanha...", etc.)

Nos outros três livros, o nome "Moshe" aparece diversas vezes em cada parashá - freqüentemente até dezenas de vezes num único chamado. Em todas as parashiot, exceto uma: a seção de Tetzave (Êxodo, 27:20 - 30:10) não inclui uma única menção do nome de Moshe.

O comentário Báal Haturim sobre a Torá explica este fenômeno como uma conseqüência de algo que Moshe disse a D'us logo após o pecado do Bezerro de Ouro. Quando o povo de Israel traiu sua aliança com D'us, apenas 40 dias após receber a Torá no Monte Sinai. D'us disse a Moshe que Ele planejava destruir a nação errante e construir um povo novo e melhor a partir dos descendentes de Moshe. Moshe suplicou e argumentou em favor do povo, finalmente dizendo a D'us: "Ora, se Tu esqueceres o pecado deles... Mas se não esqueceres, apaga-me do livro que escreveste" (Êxodo, 32:32). Eis por que, diz o Báal Haturim, o nome de Moshe não consta da parashá Tetzave.

Algumas coisas, porém, ainda precisam ser entendidas:

a) No final, evidentemente, D'us não destruiu o povo de Israel e não apagou o nome de Moshe da Torá. Então, por que o nome de Moshe foi removido de Tetzave? Seria algum tipo de punição ou "desavença" por causa de suas palavras audaciosas, ou existe um significado mais profundo para esta constatação parcial?

b) O que Moshe estava tentando conseguir? Isso era algum tipo de "ameaça" para forçar D'us a concordar? A obliteração do nome de Moshe da Torá de alguma forma salvaria o povo de Israel?

c) Por que, de todas as 54 parashiot da Torá, Tetzave é a única a omitir o nome de Moshe? De fato, o relato do pecado de Israel e o "ultimato" de Moshe aparecem na parashá seguinte, Ki Tissa! 

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Haftará

Shabat Zachor

Em Purim, durante o Serviço Matinal, lemos a Porção da Torá onde a história do ataque de Amalek é relatada (Shemot 17:8). No Shabat antes de Purim lemos uma Porção especial e adicional da Torá (Devarim 25:17) começando com: "Lembra-te o que Amalek fez a ti," e este Shabat é denominado Shabat Parashá Zachor (que significa "Lembre-se").

Por que devemos nos lembrar daquilo que Amalek nos fez? Por que não devemos perdoar e esquecer neste caso? Isso não é vingança, proibida pela Torá?

Certamente a Torá nos proíbe a vingança: "Não deves odiar teu irmão no coração... Não deves tomar vingança, nem guardar qualquer queixa contra os filhos de teu povo, mas deves amar teu próximo como a ti mesmo: Eu sou o Senhor!" (Vayicrá 19:17, 18).

Somos proibidos de alimentar ressentimento contra nosso próximo. Somos proibidos, não apenas de ferir, insultar ou envergonhar quem quer que seja, como também de odiar qualquer pessoa em nosso coração, mesmo que não demonstremos abertamente.

Por que, então, somos ordenados a relembrar o que Amalek nos fez? E como se não confiando em nossa natureza boa e clemente, a Torá repete a ordem outra vez: "Não se esqueça!"

Durante a saída do Egito até o Monte Sinai, os Filhos de Israel foram subitamente atacados por uma tribo feroz e guerreira - os Amalequitas. Foi uma investida covarde sobre uma nação que acabara de reconquistar sua liberdade, após séculos de escravidão e sofrimento. Com este ataque não provocado e traiçoeiro, os Amalequitas demonstraram não ter sentimentos humanos ou consideração. Na batalha que se seguiu, Amalek foi derrotado, mas não destruído. D'us ordenou a Israel para se lembrar daquele covarde ataque de Amalek, e na época e local apropriados varrer Amalek da face da terra. Pois não pode haver paz no mundo, enquanto se permita que os Amalequitas existam.

Amalek atacou os Filhos de Israel em Refidim, logo após eles terem "murmurado" e duvidado de D'us, dizendo: "D'us está ou não entre nós?" Este ataque ensinou-nos uma lição que, infelizmente, repetiu-se muitas vezes em nossa história. Sempre que começamos a duvidar de D'us e abandonamos Suas ordens, ali aparece "Amalek."

Haman foi um descendente direto de Agag, o rei dos Amalequitas poupado pelo Rei Saul (porém que mais tarde foi posto à morte pelo profeta Samuel). A maior transgressão do Rei Saul foi que ele teve misericórdia sobre o líder dos Amalequitas, dando-lhe assim uma oportunidade de procriar muitos mais Amalequitas como ele próprio. Haman foi um deles, como enfatiza muitas vezes o Livro de Ester. Quando o Rei Saul falhou, seu descendente Mordechai o sucedeu. Porém, com a queda de Haman o fim dos Amalequitas não fora cumprido. Muitos Amalequitas sobreviveram até o dia de hoje, e continuam a nos criar muitos problemas. Hitler foi um dos piores Amalequitas que jamais viveram, e embora ele também, como Haman, tivesse o que mereceu, muitos menores que ele, infelizmente, ainda estão à solta.

De fato, não existe no mundo nação mais misericordiosa que o povo judeu, apesar do fato, Sim, no caso de Amalek somos ordenados a lembrar o que ele nos fez, e a varrer a memória de Amalek da face da terra! A razão é que Amalek é a encarnação do mal. Jamais devemos fechar os olhos ao mal.

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  As Mitzvot de Purim 

Leitura da Meguilat Ester

Ouça a leitura da Meguilá (em 2009) Segunda à noite, dia 09 de março e na manhã de Terça, dia 10 de março. As duas leituras são obrigatórias para cumprir a mitzvá (preceito).

Mishlôach Manot

Em Purim enfatizamos o mérito da união e amizade, enviando aos amigos dádivas sob a forma de alimentos. Remeta a pelo menos um amigo, como presente, no decorrer do dia, através de uma terceira pessoa, pelo menos duas espécies comestíveis (no mínimo, 30g de sólidos e 86ml de líquidos) casher e prontas para comer. Para compor o Mishlôach Manot são necessários duas espécies de alimentos casher, pelos quais se recita diferentes berachot (bênçãos), prontos para serem ingeridos:

Matanot Laevionim

Separar donativo para, no mínimo, duas pessoas carentes.

Seudat Purim

Como em todas as festas, uma refeição especial é feita para celebrar Purim quando familiares e amigos se reúnem para comemorar a data. Nesta refeição deve-se beber uma quantidade de vinho maior do que de costume, para celebrar o milagre que começou numa festa de vinho servido por Ester ao rei e a Haman.

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A prece das crianças

Na explicação de nossos Sábios sobre a história de Purim lemos que Mordechai pediu a três meninos que citassem versículos de seus estudos. O primeiro disse: "Não tema uma súbita ameaça, nem a tempestade do perverso." O segundo recitou: "Tramarão, mas isso será malogrado; planejarão, mas não se materializará; pois D'us está conosco. " O terceiro falou: "Até tua velhice, Eu estarei contigo; até tua senilidade, Eu te sustentarei; Eu te fiz e Eu te conduzirei, Eu te sustentarei e te libertarei."

Muitas vezes, o problema é que as pessoas pensam demais, e complicam aquilo que é simples.

A fé pura e a confiança em D'us têm sido nossa salvação no decorrer da História. Mesmo assim, muitas vezes nos sentimos esmagados pelos problemas que temos de enfrentar. Parecem intransponíveis. Como poderemos emergir da imensidão de problemas que são tão complicados?

Se apenas aprendêssemos com as experiências passadas. Soluções simples muitas vezes apareceram como se tivessem brotado do nada. Soluções simples para problemas complicados não costumam chegar pelo esforço humano, mas sim pela intervenção Divina. As crianças têm uma fé simples e confiam cegamente. É por isso que suas preces são tão preciosas. Devemos aprender com elas.

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Costumes de Purim

Interesse e dedicação para com os necessitados é uma relevante responsabilidade e mitzvá essencial para praticar durante o ano todo. Mas, particularmente em Purim, a mitzvá mais importante é lembrar-se dos menos afortunados. A melhor maneira de cumprir esta mitzvá é através da doação direta e no próprio dia de Purim.

Prestamos muita atenção às bênçãos da leitura da Meguilá, respondendo amém. As bênçãos são pronunciadas pelo pessoa que fará a leitura, em nome de toda congregação. A leitura é ouvida atentamente para não perder uma única palavra.