Leia essa Semana:

Resumo da Parashá

D'us instrui Moshe a informar ao Povo Judeu que Ele irá libertá-los do Egito. Entretanto, o povo não da ouvidos. D'us, então, comanda Moshe a se dirigir ao Faraó a pedir que liberte o povo. Apesar de Aharon dar um sinal ao Faraó, ao transformar o cajado numa serpente, os magos do Faraó conseguem imitar o feito, encorajando o Faraó a recusar o pedido.

D'us pune os egípcios com as pragas do sangue e das rãs. Os magos egípcios reproduzem estes milagres, porém em menor escala, encorajando novamente o Faraó a não ceder. Entretanto após a praga dos piolhos, até mesmo o magos reconhecem que só mesmo uma força Divina poderia ser responsável por aqueles milagres.

Contudo, somente os egípcios estavam sendo afetados pelas pragas, enquanto os Judeus em Goshen nada sofriam. A dura punição continua com as pragas dos animais selvagens, peste, sarna e granizo. Entretanto, apesar da oferta de Moshe de cessar as pragas em troca da liberdade do povo, o Faraó continua firme em sua decisão de não deixar o povo sair.

Mensagem da Parashá

É Apenas Natural

Os eruditos gostam das generalizações - não poderiam fazer seu trabalho sem elas. O esforço mental para classificar tantos seres humanos quanto possível em vinte palavras ou menos tem produzido algumas jóias como: "O mundo está dividido em dois grupos: aqueles que fazem o trabalho e aqueles que colhem os louros"; ou: "O mundo está dividido em dois grupos: aqueles que gostariam de ler a correspondência alheia e aqueles que não gostariam."

Então, aqui vai nossa generalização: o mundo consiste em pagãos e transcendentalistas. Os pagãos comem, bebem e dormem; os transcenden talistas trabalham para a paz mundial. Os pagãos acreditam que a maneira que estão as coisas é a maneira que as coisas deveriam estar; os transcendentalistas acreditam que fomos colocados nesta terra para mudarmos a maneira de ser das coisas. Os pagãos veneram a natureza; os transcendentalistas veneram a D'us.

Os egípcios eram pagãos, os hebreus eram transcendentalistas. Os hebreus foram escravos dos egípcios; então D'us interveio, humilhou os egípcios, libertou os judeus e deixou-os livres pelo mundo. Esta, em vinte palavras (mais ou menos), é a história do nascimento da nação judaica.

Lemos então sobre as dez pragas que caíram sobre os egípcios. São geralmente consideradas como punição pelo cruel tratamento que deram aos judeus. Mas uma leitura mais atenta da narrativa da Tora revela que serviram também a uma função mais básica: desacreditar os deuses do Egito, de modo a "devem saber que Eu sou D'us."

O Nilo - a fonte de sustento no Egito e a divindade mais reverenciada - transforma-se em sangue; o solo tornou-se contaminado, o céu enviou um dilúvio mortal de fogo e gelo, a luz do dia transformou-se em trevas. A natureza transforma-se de mãe protetora em bruxa malvada.

Tirar os judeus do Egito não seria conquista alguma se os judeus tivessem levado o Egito junto com eles quando se foram. Portanto, primeiro os judeus tiveram de testemunhar a destruição dos deuses do Egito: eles tinham que escutar seus amos renunciarem à ordem natural que haviam endeusado; tinham que presenciar a "bondade" da natureza exposta pela impostura que é.

Apenas quando o paganismo do Egito foi desenraizado de seus corações, os Filhos de Israel puderam prosseguir até o Monte Sinai para receber os mandamentos como "Uma luz dentre as nações." Apenas então puderam ensinar ao mundo que a natureza não é para ser adorada, mas aperfeiçoada; que o modo de ser das coisas deve ser suplantado pela maneira como as coisas deveriam ser.

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O Valor do Líder

Nessa porção semanal lemos sobre os nossos grandes líderes, Moshe e seu irmão Aharon. Os comentaristas notam que Moshe e Aharon permaneceram resolutos e dedicados em sua missão, do começo ao fim. Há um comentário muito difícil de se compreender: "Que outra coisa era de se esperar de tão grandes homens?"

Talvez a intenção aqui seja dar-nos uma lição muito significativa. Muitos líderes de grandes causas iniciam suas atividades com muito ardor, sinceridade e devoção. Com o decorrer do tempo, impressionados com a própria grandeza de sua posição, alteram sua atitude e começam a mudar sua sinceridade original; eles são os líderes que ninguém se atreve a atravessar no caminho ou sequer ousar duvidar de sua autoridade. Isso ocorreu com os líderes dos maiores impérios e repúblicas, e também infelizmente, com lideranças da história judaica.

Shaul (Saul), nosso primeiro rei, começou sua carreira com humildade, mas no fim tornou-se um homem diferente que esqueceu da dedicação de seus antepassados. Com muita freqüência, encontramos em nossos dias homens e mulheres que começaram a trilhar um caminho com tremenda devoção e idealismo e que continuaram dirigindo as rédeas do poder com arrogância e orgulho.

Os comentaristas nos informam que isso não ocorreu com Moshe e Aharon. Permaneceram fiéis, justos e devotos do começo ao fim; o poder não lhes subiu à cabeça. Eram verdadeiros homens de D'us, homens dignos de liderança. Aprendemos do exemplo deles.

Para Pais e Filhos

1.   Segundo o Midrash, por que as primeiras cinco pragas não possuem a expressão "E Eu endurecerei o coração do Faraó ..."?

2.   O que se aprende da expressão de que "o povo não escutou do espirito quebrado...."?

3.     Por que o Faraó não achou o milagre da vara tão especial?

4.   Por que alguns milagres foram feitos por Aharon, usando o cajado de Moshe?

5.   Como vemos que D'us fez juízo com Mitzraim (Egito) e como vemos que isto era sinal de sua bondade?

6.   A que tipo de atitude/gesto se pode comparar a evolução das pragas do Egito?

Haftará

Assim como a Parashá descreve o declínio do Egito no período de Moshe, a Haftará também detalha a ruína do Egito posteriormente no período do Profeta Yechezkiel. Assim como o Faraó dos tempos Bíblicos, o Faraó da Haftará também se proclamou como deus que criou o Nilo.

Porém, o Egito será conquistado por Nabucodonosor, o rei da Babilônia, e quando ambos Impérios forem destruídos, Israel emergirá para ser reunido á D'us .

O Mordomo Foi o Culpado!

"Eis-me acima de ti, Faraó !" (Iechezkiel, 29:3)0

Havia certa vez um mordomo de uma grande mansão, que resolveu um dia representar seu patrão. Uma visita era esperada, a qual nunca havia encontrado o verdadeiro patrão. O mordomo vestiu-se com as melhores roupas de seu patrão, e recebeu o visitante de uma maneira aristocrática ,falsa, e ostentosa exibindo a enorme mansão, sua valiosa coleção de arte e a enorme área de suntuosos jardins.

O mordomo estava se sentindo o máximo até que o verdadeiro patrão apareceu em cena e energicamente colocou o mordomo em seu devido lugar. De forma semelhante, o Faraó não poupou engrandecimento próprio, conduzindo-se como o supremo soberano, não devendo explicações a ninguém. Ele até mesmo havia declarado: "Eu não conheço D'us."   Portanto, D'us lembra ao Faraó: "Eis-me acima de ti, Faraó!" - "Saiba que eu governo sobre ti, e você está em Minhas mãos, para fazer o que eu considero apropriado - você não é nada mais que um mordomo arrogante!"             Baseado em Kochav Mi Yakov

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Histórias Chassídicas

Movendo Suas Rodas

"Portanto diga para os Filhos de Israel: 'Eu sou D'us, e te tirarei da escravidão do Egito... e você saberá que sou D'us seu D'us, que te salva da escravidão do Egito'". (Êxodo, 6:6-7)

Anomalias na ortografia da Tora são fontes de inúmeros comentários. Nos versículos acima, a palavra escravidão é repetida. No primeiro verso, o plural não tem a letra "vav". No segundo, é escrito de forma completa. Porquê? A escravidão tem dois aspectos. Um é a restrição da liberdade física, e o outro é a escravidão da mente.

Um escravo só percebe a escravidão física. Ele se envolve tanto na luta diária pela sobrevivência que não percebe a escravidão espiritual. D'us disse para o Povo Judeu que após "te tirarei da escravidão do Egito...", após ser libertado do cativeiro físico, então "... você saberá que sou D'us seu D'us, que te salva da escravidão do Egito'". Somente então você perceberá a profundidade de sua escravidão mental e espiritual.

Somente, quando o prisioneiro é libertado fisicamente, que ele percebe que estava movendo suas rodas espirituais como um rato em um brinquedo.    Shela HaKadosh pelo Rav Itzchak Breitowitz

Me Diga Com Quem Andas

"Toma teu cajado e lança-o diante do Faraó e se tornará em serpente"(Êxodo, 7:9)

Nada influência tanto uma pessoa quanto o ambiente. Até mesmo a mais decadente e pervertida alma mudará para melhor quando colocada num ambiente elevado e positivo. E até mesmo a mais nobre alma sofrerá um declínio espiritual e um eventual colapso quando sujeita à uma atmosfera pervertida e degradante.

Moshe quis mostrar ao Faraó, que apesar do Povo Judeu ter sido rebaixado pela perversão do Egito, à um ponto em que quase não eram reconhecidos mais como seres humanos, quando livres desta fossa espiritual, ascenderiam aos mais altos níveis, se tornando verdadeiros gigantes de alma.

Moshe demonstrou isto ao Faraó, tomando "o cajado de D'us" - um símbolo da maior elevação espiritual, o qual foi utilizado nas realizações miraculosas e no qual estava gravado o Shem Hameforash (o Nome de D'us) - e lançando-o ao chão. Porém, Moshe não lançou o cajado em qualquer lugar e sim diante do Faraó, a personificação de tudo o que o Egito representava - e o cajado tornou-se uma serpente - o símbolo de tudo que é baixo e nocivo.

Esta mesma serpente que arrastava-se na terra, foi feita retornar a seu estado original, "o cajado de D'us", quando Moshe elevou sua mão. Como é grande a influência das nossas companhias!

Adaptado de HaGaon Maharam Shapira Mi Lublin z"l em Mayana Shel Tora

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Para Pais e Filhos - Respostas

1.    Porque nas primeiras cinco pragas ainda houve diálogo com o faraó e os milagres foram crescendo e se multiplicando, após a Quinta praga observa-se que o faraó estava obstinado e por isso D'us ajudou o perverso em seu caminho para que pudesse "colocar" todos os sinais na terra do Egito.

2.    Conforme fala o Midrash, literalmente de espirito "curto", ofegante, pois, grande era o sofrimento do povo. Por isso D'us perdoou a eles por não acreditar em Moshe nessa hora, pois, estavam esgotados.

3.     Porque o milagre da vara foi repetido facilmente pelos magos do faraó, até pelas crianças contas o Midrash. Porém, o faraó queria ver algo especial e então duvidou que eles pudessem fazê-lo com a vara. Conclusão a vara que virou serpente e engoliu, voltou a virar vara e a engolir novamente outras varas. A malícia do faraó era de que uma serpente normalmente devora outra mais fraca viva, o que seria natural para uma serpente maior, porém , entre varas é outra coisa ...

4.    Alguns milagres foram feitos por Aharon, usando o cajado de Moshe, devido a que se aprende que uma pessoa nunca deve "cuspir no prato em que comeu", assim foi para a água que não tragou Moshe, ele não podia golpeá-la / Sangue, a terra o ajudou a esconder o egípcio que ele matou/Sarna, etc.

5.    Podemos ver que D'us fez juízo através das pragas, pois, primeiro golpeou o Nilo - deus local, depois trouxe "rãs". No começo era uma que ao ser golpeada se multiplicava e não morria e assim por diante. A idéia é de julgar com sinais em correspondência as aflições que os Bnei Israel foram submetidos no Egito e da mesma forma que eles foram submetidos, assim os milagres se multiplicavam.

6.    A evolução das pragas pode ser comparada, segundo o Midrash Tanhumá, a estratégia de guerra de ataque de um exército: primeiro, envenena as fontes de alimento, depois inicia assustando - o coaxar dos sapos e assim sucessivamente.


Palavras do REBE

Rica Herança

Porém, é natural que surja a pergunta: "Quando vi a Divindade? Talvez tenham acontecido milagres no passado, mas que importância têm hoje em dia?

A resposta se encontra no comentário de Rashi sobre o versículo de onde foi tirado o nome desta leitura da Tora: "Eu Me revelei para Avraham, para Itzchak e para Yakov". Rashi comenta: "Para os Patriarcas".

Esta observação parece supérflua. Todos sabem que Avraham, Itzchak e Yakov foram os Patriarcas do Povo Judeu. Uma vez que cada um foi citado pelo nome, não há necessidades de mencionar seu título. Porém, Rashi enfatiza que as revelações lhes foram transmitidas, não por causas de suas virtudes individuais, e sim porque eram "Patriarcas"; e suas realizações espirituais passariam para seus descendentes como herança.

Ao se revelar para os Patriarcas, D'us fez com que a consciência de Sua existência se perpetuasse para sempre, tornando-se elemento fundamental no feitio de seus descendentes.

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