Resumo da Parashá

A Parashat HaShavua (porção da leitura da Tora desta semana) é chamada de “Acharei Mot - Kedoshim” – após o falecimento, sejam santificados. Esta é são a sexta e sétima porções do livro de Vaikra (Levítico).

Acharei –em seu início, somos lembrados sobre o episódio ocorrido com os filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, sobre o qual já havíamos lido na Parashá Shemini. Na seqüência, a Parashá inicia uma detalhada descrição do serviço especial de Yom Kipur, a ser realizado no Mishkan (Tabernáculo) pelo Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). D’us instrui os cohanim para tomarem muito cuidado ao entrar no Mishkan. E em Yom Kipur, o Cohen Gadol entra na parte mais sagrada do Mishkan.

Ele seguirá um ritual único, usando vestimentas especiais, oferecendo sacrifícios e incenso e tendo como obrigação expiar pela sua casa e pelo povo todo de Israel. Este ritual é relembrado até hoje na leitura da “Avodá”, durante a repetição de Mussaf de Yom Kipur em nossas Sinagogas.

Seguindo a ordem de que Yom Kipur e suas leis de jejum e abstinência de trabalho, as quais seriam observadas eternamente pelo povo judeu como um dia de perdão - “Shabat HaShabaton” - a Tora então ensina a proibição da oferenda de korbanot (sacrifícios) fora das instalações do Mishkan (Tabernáculo e, no futuro, no Templo). E como conclusão dessa primeira porção, nos é assegurado que o povo judeu merecerá a entrada na terra de Israel e manterá sua santidade, garantindo assim sua permanência nela.

Kedoshim – está é a sétima porção do livro de Vaikra (Levítico). Ela inicia com a ordem de D'us para toda a nação de Israel ser santa, imitando a suprema santidade do próprio D'us.

E a Tora prossegue ensinando várias mitzvot através das quais podemos atingir a santidade, abrangendo uma grande variedade de assuntos, tanto com mandamentos positivos, como inferências negativas, lidando com nosso relacionamento ímpar com D'us e com nosso próximo.

Esses assuntos abordam desde Shabat, passando por relações familiares, escravagismo, Kilaim (misturas proibidas) e até mesmo a descrição de punições para relações humanas proibidas, conforme enumerado na Parashá Acharei.

E essa porção conclui com o mandamento, mais uma vez, para que sejamos um povo santo e distinto dentre as nações do mundo.

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Mensagem da Parashá

Não Permanecer em Casa Esperando

"Amarás a teu próximo com a ti mesmo”    (Vaikra 19, 18)

Nesta parashá aparece o preceito Divino de amar ao próximo como si mesmo. Rabi Akiva expressa sobre essa mitzvá: "é uma regra principal da Torá". Rabi Israel Baal Shem Tov, colocou este mandato como um dos pilares do movimento que fundou, o movimento Chassídico.

Temos na Mishná de Pirkei Avot (2:2): "todo estudo da Torá que não está combinado com um trabalho: cessará!" e o Baal Shem Tov costumava explicar que "trabalho" se refere à dedicação no amor ao próximo. E da mesma forma, para que a Torá tenha fundamento, deve estar unida com Ahavat Israel.

Porém, como há ênfase na palavra "trabalho", isto nos quer dizer que o cumprimento deste preceito deve transformar-se em uma ocupação, cuja dedicação deve ser similar a de um profissional em sua área, ou a de um comerciante em seu trabalho. Assim como o vendedor não fica sentado aguardando que alguém se intere da existência de suas mercadorias e venha a comprá-las, se não que abre um negócio em um ponto estratégico, coloca um cartaz e uma faixa na porta e investe toda sua energia para anunciar a mercadoria que oferece através de diferentes meios, para que venham a adquiri-la.

SABER O QUE FALTA

Da mesma forma, devemos ocupar-nos do amor ao próximo. Não devemos esperar até que nosso companheiro venha a nós e nos peça ajuda, senão que devemos pensar e buscar a forma de ajudá-lo, averiguar do que necessita, tanto material como espiritualmente, e dedicar-nos com todo nosso ser para suprir essa necessidade. Esta é a forma correta de "trabalhar" no amor ao próximo.

O Baal Shem Tov ensinou que a forma de aproximar a outro judeu ao espírito da Torá e das Mitzvot é fazendo-lhe um bem no plano material.

Além de cumprir com o preceito de amor ao próximo, isto provoca no espírito de nosso próximo um acercamento, uma aproximação, até torná-lo em um recipiente para espiritualidade.

Ao fazer um bem a outro, não deve existir uma finalidade oculta, ao contrário, deve fazer o favor incondicionalmente, só que a ajuda material logra também uma aproximação até o espiritual por parte do receptor.

A TAREFA COMPLETA

A perfeição na Mitzvá de Ahavat Israel se consegue quando se consolida completamente ao companheiro até que ele mesmo possa ajudar a outros.

O mesmo, no plano espiritual do cumprimento da Torá e seus preceitos, quando se teve sucesso que nosso companheiro está em condições de transmitir e ajudar a outros, então teremos alcançado a excelência nesta Mitzvá.

Há quem argumente que não se sente capaz de ensinar a outros. Devem saber que não é assim. Nossos Sábios nos dizem no Pirkei Avot: "Quem é Sábio?. Aquele que aprende de toda pessoa". Daqui, em que cada qual possui algo único, e com isso pode transmiti-lo a outros. Nesse ponto, é "rico" e deve ajuda, compartilhando-o com os demais.

Quando um Iehudi ajuda ou ensina a seu(sua) próximo, se cumpre para ambos o versículo do Mishlei: "D-us Ilumina os olhos de ambos", O Todo Poderoso outorga a ambos, ao doador e ao receptor, um sem fim de bênçãos do Céu.

Likutei Sichot, Vol 1 Pg 260 

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Haftará

História

Está haftará está relacionada com a Parashá Acharei, aonde D’us adverte o Povo de Israel a não imitar os modos imorais dos Cananitas, pois se não a terra os expelirá para o exílio (Levítico, 18:28). O profeta Amos os adverte que eles, naquele momento, já estavam parecendo os Cananitas e que logo seriam expulsos da terra. Ainda, o profeta fala sobre a redenção quando D’us os retornará as suas fronteiras e reconstruirá o reino de David. Então, cidades desoladas serão reconstruídas e a vida será prospera e em paz para sempre.

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Pirkei Avot

Capítulo 3

"Reza pelo bem estar do governo porque sem o temor que este infunde, um homem engoliria o outro vivo" - Rabi Chanina (Avot 3:2)

Deves rezar não somente pelas tuas próprias necessidades senão também pelas necessidades de todo o mundo.

Os Justos, Tzadikim, são sensíveis à dor dos outros, como expressa o Rei David no Tehilim, Salmos, 35:13: “quando outros estavam enfermos ele vestia roupas de trapo, jejuava e rezava por sua recuperação”.

Portanto, tua preocupação deve ser que todo ser humano tenha paz. E a maneira de alcançar essa paz é rezar pelo bem-estar dos governos que dirigem as nações.

Rabenu Iona

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Vivendo com o nosso Tempo

Pessach Sheni - Seu Significado?

Um ano após o êxodo do Egito, o povo judeu fez a oferenda de Pessach no décimo quarto dia do mês de Nissan. Mas nem todos puderam realizá-la. A escritura relata (Números, 9:6): "Havia alguns homens que estavam ritualmente impuros (pelo contato com mortos) e incapazes de preparar a oferenda de Pessach naquele dia. Aqueles disseram: 'Por que deveríamos ser privados de fazer a oferenda do Senhor no seu tempo marcado entre os filhos de Israel?' Moshe respondeu: 'Aguardem, e eu ouvirei o que o Senhor ordenará a respeito de vós'. D'us falou a Moshe: 'Se qualquer pessoa de vós ou de vossas gerações futuras estiver ritualmente impura ou numa jornada distante, ainda assim fará a oferenda de Pessach ao Senhor. Deverá efetuá-la no décimo quarto dia do segundo mês'..."

É dada uma nova oportunidade àquele que não ofereceu o sacrifício de Pessach no tempo certo - 14 de Nissan - para fazê-lo no dia 14 de Iyar, data denominada de Pessach Sheni, o Pessach do segundo mês, no qual costuma-se, hoje em dia, comer um pedaço de matzá, o que é oportuno especialmente nesse Shabat que está ligado diretamente com essa data.

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Palavras do Rebe

Lição de Casa

“Não julgue seu amigo até que tenha estado no lugar dele” (Avot)

É mais fácil notar os erros dos outros do que os nossos. Nossa tendência é termos uma certa cegueira com nossos enganos, porém sabemos que não nascemos completamente desenvolvidos. É preciso muita experiência e prática para se tornar um especialista em alguma coisa. Devemos ser igualmente compreensivos quanto às falhas dos outros.

Às vezes queremos motivar as pessoas a se aperfeiçoarem. Nosso reflexo automático pode ser admoestar ou repreender duramente, mas devemos perceber que este não é um método muito bem-sucedido de provocar a mudança. Coloque-se no lugar da outra pessoa e imagine de que maneira você gostaria de ser repreendido sobre uma falha que possui.

O Criador do universo, nos ensina que em situações nas quais devemos criticar alguém, é essencial começar com um elogio. É sempre mais fácil escutar palavras desagradáveis depois de ouvir alguns pontos positivos. Isso segue o conceito que discutimos acima, que o melhor método de comunicação é por intermédio do amor. Concentre-se em amar a pessoa, e poderá ver e discutir suas falhas de maneira positiva.

Se você elogiar alguém, conseguirá sua atenção. É importante, no entanto, ser sincero naquilo que diz. Se o ouvinte suspeita que o elogio é falso e meramente uma introdução à crítica, suas palavras cairão em ouvidos moucos.

Coloque-se na posição da pessoa e pense de que maneira a crítica soará para ela. Enfatize suas palavras elogiosas e depois sutilmente mude para a necessidade de uma pequena melhora para ser merecedor de mais elogios. Assim, a crítica não se destaca tanto, fica indireta, e sua amizade permanece intacta.

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