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Resumo da Parashá

A Parashat HaShavua (porção da leitura da Tora desta semana) é chamada de “Vaieshev” – E habitou. Esta é a nona porção do livro de Gênesis, a porção que inicia narrando a vida de nosso patriarca Yakov na terra de Israel.


Yakov Avinu se estabelece na terra de Canaan. Seu filho predileto, Iossef, lhe traz informações intrigantes sobre seus irmãos. Yakov presenteia Iossef com uma túnica especial, multi colorida, de lã.

Iossef aumenta ainda mais a raiva de seus irmãos, ao contar seus sonhos proféticos - de espigas de milho que se curvarão para ele - significando que toda a família o apontará rei.

Os irmãos julgam Iossef e decidem executá-lo. Quando Iossef vai para Shechem, seus irmãos têm piedade e decidem, influenciados por Reuven, colocá-lo em um poço ao invés de matá-lo.

Iehuda os convence a tirá-lo do poço e vendê-lo para uma caravana de Ishmaelim (descendentes de Ishmael) que estava passando por eles nesse momento. Quando Reuven retorna e vê que o poço está vazio, ele rasga suas roupas como sinal de sofrimento. Os irmãos mancham a túnica de Iossef em sangue de carneiro e mostram-na para seu pai Yakov, que assume que Iossef foi devorado por um animal selvagem. Yakov não se consola.

Enquanto isso, no Egito Iossef é vendido para Potifar, o Chefe dos Verdugos do Faraó.

Em outra narrativa da Parashá, o filho de Iehuda, Er, morre ao prevenir que sua mulher Tamar engravide, pois ele temia que se ela engravidasse ela perderia sua beleza.

O segundo filho de Iehuda, Onan, casa com Tamar seguindo as leis de casamento no caso de um irmão que falece sem ter tido prole, Ibun. Ele é punido por razões semelhantes as do seu irmão. Quando a esposa de Iehuda falece, Tamar resolve engravidar de Iehuda, fundando a linha Davídica, da onde descenderá Mashiach.

Enquanto isso, Iossef chega ao poder na casa de seu mestre egípcio. Sua extrema beleza atrai não correspondidas tentativas de sedução da mulher de seu mestre. Irada pela rejeição de Iossef, ela calunia Iossef, acusando-o falsamente de tê-la seduzido, e ele é aprisionado.

Iossef é jogado na prisão onde novamente é alçado a uma posição de liderança, desta vez ficando encarregado dos prisioneiros. Dez anos depois, o mordomo chefe do faraó e o padeiro são jogados na mesma prisão. Certa noite eles têm um sonho intrigante, que Iossef interpreta de forma acurada, e o mordomo retorna a seu cargo antigo e o padeiro é executado, como Iossef havia predito..

A Parashá conclui com o fato de que, apesar de sua promessa após ser libertado, o mordomo chefe esquece de ajudar Iossef, e Iossef permanece preso.

Como leitura extra, temos a festa de Chanuká. Ela começa nesse Domingo e termina no próximo.



Chanuká – a festa

Significado

Literalmente, "Inauguração". A festa recebeu este nome em comemoração ao fato histórico de que os macabeus "chanu" (descansaram) das batalhas no "cá" (25º dia) de Kislev.

Por Que Se Comemora?

Antiocus, rei da Síria, governou a Terra de Israel depois da morte de Alexandre, o Grande. Pressionou os judeus a aceitarem a cultura greco-helenista, proibindo o cumprimento das mitzvot (preceitos) da Tora e forçando a prática da idolatria pagã.

Antiocus foi apoiado por milhares de soldados de seu exército. Em 165 AEC, os Macabeus, corajosos lutadores oriundos de uma família de muita fé, os Chashmonaim, apesar do antagonismo esmagador, saíram vitoriosos de uma batalha travada contra o inimigo.

O Templo Sagrado, violado pelos rituais greco-pagãos, foi novamente purificado e consagrado e a Menorá (candelabro) reacesa com o azeite puro de oliva, descoberto no Templo.

A quantidade encontrada era suficiente para apenas um dia, mas milagrosamente durou 8 dias, até que um novo óleo puro pudesse ser produzido e trazido ao Templo. Em lembrança destes milagres comemoramos Chanuká durante oito dias.

Costumes

Acender a Chanukiá

Distribuir dinheiro - Chanuká Guelt, Demei Chanuká, (para mitzvá de tzedaká, e para:)

Brincar com o Sevivon (pião)

Comer sonhos e bolinhos de batata.


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Chanuká – costumes e tradições

Como Acender a Chanukiá

A festa dura por oito dias, iniciando-se em 25 de Kislev. Neste ano (2008), a primeira vela será acesa em 21 de Dezembro.


É preferível que todos os membros da família estejam presentes ao acendimento da chanukiá do pai. Porém, existem diversos costumes quanto aos demais membros da família e a visitas, consulte o Rabino de sua comunidade.

O acendimento da Chanukiá deve ser especial, ou seja, ninguém deve fazer nada exceto contemplar as velinhas acesas durante o período de meia-hora após o acendimento. Este período deve ser especialmente observado pelas mulheres, exceção feita ao Shabat, que não se pode mexer e que geralmente se está no caminho da sinagoga para muitos “balei batim”.

O horário de acendimento é ao anoitecer, para que queime pelo menos ½ hora após o anoitecer, excedido Shabat que se acende antes das velas de Shabat e não se mexe mais. A luz da chanukiá é sagrada e não pode ser usada para outro fim que cumprir a mitzvá de propagar o milagre, “pirsuma nissa”, através de apenas contemplar sua luz.

A forma de acender é de dentro para fora, ou seja, coloca-se as velas do dia anterior, começando da primeira e acrescenta-se mais uma.

Ao acender, inicia-se pela última vela acrescentada, seguindo a ordem oposta a da colocação. Usa-se o Shamash, vela auxiliar com posição em destaque das demais,ou qualquer fogo estranho, pois é proibido passar de uma vela a outra. Caso alguma vela apagar, pode ser reacesa para que durem um mínimo de ½ hora através de um Shamash (qualquer), excedido Shabat. O pavio e o óleo do dia anterior podem ser usados no dia seguinte e o que sobrar no último dia deve ser queimado ou jogado fora após os 8 dias de Chanuká.

É permitido apagar as velas após a ½ hora noturna, e sendo assim, outra pessoa poderá utilizar a mesma chanukiá – óleo, velas, pavios, etc   inclusive na mesma noite ou subseqüentes, exceção feita ao Shabat, que não se pode mexer. As velas podem ser de azeite, óleo, ou parafina, sendo mais bonito com azeite.

Na saída de Shabat, é melhor fazer havdalá antes de acender em casa. Na sinagoga se acende antes da havdalá. O acendimento diário na sinagoga, entre Minchá e Maariv, não isenta de acender em casa. Para aqueles que não tem possibilidade ou estão em viagem, é oportuno perguntar ao Rabino de sua sinagoga.

A chanukiá deve ser valiosa, na medida do possível, e limpa. Deve ser acesa em qualquer lugar onde haja judeus morando, de preferência no umbral oposto a mezuzá e / ou na janela, porém, deve ser protegida do vento.

As bênçãos podem ser encontradas em qualquer Sidur ou panfleto da festa, seguindo-se a regra das duas bênçãos: “lehadlik ner chanuká” e “sheassá nissim laávoteinu ...”, acrescida de “shehêchianu ...” na primeira vez que acender durante os oito dias. Alguém que não acendeu algum dos dias, deve acender o número de velas correspondentes ao dia da festa que for acender. Após as bênçãos há o costume geral de falar o texto de “Hanerot Halalú” e se for ashkenazi, dizer “Maoz Tzur”; se for sefaradi, dizer “Mizmor Shir Chanukat HaBait”, conforme pode ser encontrado no Sidur ou panfletos da festa.

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Sevivon

A origem

Antiocus decretou que cada aula de Tora era crime punível com morte ou prisão. Em desafio, as crianças estudavam em segredo, e quando as patrulhas sírias eram avistadas, fingiam estar jogando uma inocente brincadeira de pião, também conhecido como dreidel (em idish) ou sevivon (em hebraico).

As letras

Todo sevivon possui quatro lados com uma letra hebraica em cada um deles. Cada letra é a inicial de uma palavra. As quatro letras são:

Nun primeira letra da palavra nes, que significa "milagre"

Guimel primeira letra de gadol, que significa "grande"

Hei primeira letra de haya, que significa "era" ou "foi"

Shin primeira letra de sham, que significa "lá"

Juntas, estas letras formam a frase: "Um grande milagre aconteceu lá".

Em Israel, ao invés da letra shin (para designar sham, lá), o sevivon possui a letra pei de , aqui, para que as letras dos lados do pião forme a frase: "Um grande milagre aconteceu aqui".

Em tempo, se você não souber brincar, ou não lembrar, pergunta a seus filhos ou netos: com certeza eles ficarão felizes em brincar com você!

Sonhos e Bolinhos de Batata

Na festa de Chanuká há o costume de ingerir comidas fritas em óleo como bolinhos de batata (levivot ou latkes), e sonhos (sufganiot). Estes alimentos são preparados e degustados em honra ao milagre que ocorreu com o azeite.

Pratos à base de laticínios, como bolinhos de queijo, são também apreciados, pois lembram os feitos de uma famosa heroína judia, Yehudit, na época do Segundo Templo Sagrado de Jerusalém.

Israel encontrava-se sitiada pelo cruel e opressivo exército Greco-Sírio. Yehudit ajudou a assegurar a vitória para as forças judaicas, assassinando o terrível general do exército grego, Holofernes. Deu a ele queijo salgado para comer, acompanhado de vinho forte para eliminar sua sede. O vinho o "derrubou" fazendo-o cair em sono profundo. Yehudit então tomou de sua espada e o matou. Os soldados do general fugiram com medo. A vitória dos Macabeus seguiu-se a este ato de coragem.


Chanuká – iluminando

Mensagem Universal

Chanuká contém uma mensagem universal para todos os povos de todas as fés - uma mensagem de liberdade, da vitória do bem sobre o mal, da luz sobre as trevas.

O símbolo da festa, um candelabro de oito braços, adquiriu significado especial para o povo judeu durante a revolta contra a coerção religiosa dos antigos gregos, aproximadamente 2.200 anos atrás.

Este candelabro, na verdade, representa muito mais do que apenas um símbolo religioso. Simboliza a liberdade de expressão e, assim, indica a diversidade e pluralismo tão importantes em nossa sociedade.

Acender candelabros gigantes em locais públicos proclama a mensagem universal da liberdade religiosa, como vem sendo feito em centenas de cidades do mundo todo.

A Lição Através da Luz

Embora Chanuká seja celebrada apenas durante oito dias no ano, a mensagem da festa e de suas luzes são válidas o ano inteiro.

Há outras luzes com importante significado no judaísmo, entre elas as luzes do candelabro que eram acesas diariamente no Templo Sagrado de Jerusalém e as luzes de Shabat, acesas no lar judaico todas as tardes, antes do pôr-do-sol de sexta-feira.

Existem diferenças fundamentais entre as luzes de Chanuká e as outras duas:

As velas de Shabat devem ser acesas antes do pôr-do-sol e as velas do Templo Sagrado eram acesas ainda cedo; as luzes de Chanuká, todavia, devem ser acesas depois do pôr-do-sol, quando já está escuro (exceto na sexta-feira, que devem ser acesas antes das velas de Shabat).

O candelabro do Templo estava dentro do Santuário. O lugar das luzes de Shabat, da mesma maneira, fica na mesa de Shabat. Porém, as luzes de Chanuká devem ser colocadas em um lugar que possam ser vistas do lado de fora.

Finalmente, as luzes do Templo e as velas de Shabat têm sempre o mesmo número, enquanto as luzes de Chanuká são acrescidas a cada dia da festa, aumentando constantemente seu número.

A lição indicada pelas luzes de Chanuká é que cada um deve iluminar, não somente o seu lar, (como faz através das velas de Shabat e do Templo), mas tem uma responsabilidade adicional de iluminar "externamente" seu ambiente social e de negócios. Além disso, quando as condições são desfavoráveis (está escuro lá fora) não é suficiente acender uma luz e apenas mantê-la, mas é necessário aumentar constantemente as luzes através de um esforço sempre crescente para propagar a luz da Tora e das mitzvot.




Conservar o Azeite Puro

O verdadeiro objetivo dos gregos não era a destruição do óleo da Menorá, mas sim conseguir com que fosse reacesa com óleo profanado. O propósito por trás disto era, ao invés da supressão da Tora, sua profanação; queriam que ela fosse considerada uma obra humana.

Chanuká nos lembra que o maior perigo na vida judaica não é a ameaça de sua supressão ou de sua extinção completa, mas antes, a tendência de profaná-la alimentando sua Menorá com óleo impuro.

Essa tendência pode expressar-se de várias maneiras: na adoração do materialismo e sucesso material; na apresentação de certas ideologias feitas pelo homem e "ismos", como a panacéia de todos os males da humanidade; na idolatria da ciência e da tecnologia e a tendência de julgar e medir tudo segundo os padrões do raciocínio humano. Ela não exclui necessariamente a "experiência religiosa", mas ou a confina a uma área restrita, ou pior ainda, produz uma pseudo-religiosidade onde a consagração e a devoção são sacrificadas de acordo com conveniências e compromissos pessoais.

Chanuká nos ensina que a santidade e a pureza da vida judaica deve ser conservada a qualquer custo. Os aspectos externos e materiais de nossa vida diária não somente devem ser preservados de serem contaminados em sua pureza e santidade, mas ao contrário, Tora e mitzvot devem levar santidade a todos os aspectos materiais de nossa vida de acordo com o princípio: "Conheçam-O em todos os seus caminhos".

Histórias Chassídicas

Luzes, Câmera, Ação

"Estas são as gerações de Yakov, Iossef...", (Gênesis, 37:2)

A Parashá desta semana é como um roteiro de um filme que narra a história futura do Povo Judeu. Iossef (O Povo Judeu), o filho favorito de seu Pai (D’us), se vê obrigado a deixar a seu pai e a seu país (o exílio).

É enviado a outro país, controlado por uma nação decadente, que intenta, por todos os métodos possíveis, destruí-lo. Entretanto, acontece o contrário, Iossef se converte no provedor, que mantém a todas as ações em tempos de fome, e finalmente seus irmãos acabam por vir e prostrar-se ante ele (por haver lhe causado tanto dano). Assim será no futuro. Serão precisamente todas as aflições pelas quais tem passado o Povo Judeu, as que o levarão a sua ascensão.                                                     Baseado no Chafetz Chaim zt"l


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Caminhos da Vida

"Foi dito para Tamar: Vê, teu sogro está subindo para Timna tosquiar seu rebanho", (Gênesis, 38:13)

Contudo no caso de Shimshon, Sansão, foi dito: "e Sansão desceu para Timna" (Juízes, 14:1). Pois, segundo Rashi, Timna estava localizada na inclinação de uma colina: um ascende até ela por um lado e desce até ela por outro.

A cidade de Timna é, em comparação, o protótipo de todos os destinos das vidas. Alguém nunca vai simplesmente para Timna - alguém ou ascende ou desce para ela; o mesmo é verdade na jornada da vida de cada um. Não existem dois pontos paralelos na inclinação do desenvolvimento humano, onde cada novo paço está: ou um pouco a cima, ou um pouco abaixo de seu predecessor.

Esta também é a lição implícita nas luzes de Chanuká (festa a qual sempre cai próxima da leitura da Tora de Vaieshev). Alguém que acende uma chama individual na primeira noite do festival, observa a mitzvá de acender as velas de Chanuká na melhor maneira possível. Mas acender esta mesma vela na noite seguinte, não é só uma falha para o aumento de luz, porém, um declínio em relação ao alcançado no dia anterior: pois na segunda noite de Chanuká, uma única chama representa um “pouco menos” que a observância ótima da mitzvá. Pois já são necessárias duas chamas para cumpri-la de forma completa. Do mesmo modo na trajetória da vida, todos nossos atos e esforços ou nos elevam ou nos rebaixam em relação ao nosso nível anterior.                                                          Baseado em discursos do Lubavitcher Rebe



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Palavras do Rebe

Como Não Se Enganar

Via de regra, as pessoas não fazem aquilo que acreditam estar errado. Aqueles que o fazem, de certa forma convenceram a si próprios que seus atos são, na verdade, corretos. Justificam-se com engenhosas racionalizações.

Se somos tão susceptíveis aos truques e enganos pregados pela mente dizendo que o errado está certo, o que podemos fazer para impedir o comportamento inadequado? O Rei Salomão fornece a resposta: "Dirija suas ações no rumo de D'us, e seus pensamentos serão corretos" (Mishlei, 16:3).

A distorção é maior quando a motivação é: "O que desejo?" Se nos removermos da situação e em vez disso perguntarmos, "O que D'us deseja?", a possibilidade de deturpação diminui.

Embora haja menos distorção no segundo caso, não podemos afirmar que esteja totalmente ausente. Algumas pessoas têm estranhas idéias sobre aquilo que D'us deseja. Entretanto, se nos excluímos do quadro e nos motivamos a fazer aquilo que D'us quer, há maior probabilidade de que possamos consultar alguém em posição de dar-nos uma opinião abalizada sobre a vontade de D'us. Embora isso não seja infalível, pelo menos existe uma chance de fugir às distorções da racionalização, que são dominantes quando alguém busca primeiramente satisfazer a si próprio.


CHAG URIM SAMEACH

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